Não há marketing estratégico sem analytics e HyperIntelligence | MicroStrategy
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Não há marketing estratégico sem analytics e HyperIntelligence

Quando iniciei minha carreira em marketing, empatia e ideias inovadoras eram características de um bom profissional - analytics e HyperIntelligence eram ainda conceitos desconhecidos. Sucesso mesmo era organizar eventos com um alto número de participantes, e depois apresentar um PPT com fotos e depoimentos de clientes felizes encantava os executivos, embora não ficassem convencidos do papel do marketing em gerar negócios.

Também tínhamos o LEAD, o SQL etc., que ninguém sabia a diferença e nem como os sistemas de CRMs classificavam e chegavam nesses valores; entretanto, maximizávamos esses números como o caminho para gerar três, quatro, 10 vezes mais pipeline e justificar os investimentos.

Não foi de um dia para o outro, mas, nos últimos cinco anos, o papel do profissional de marketing mudou. Não somos mais ninguém se não formos estratégicos e comprovarmos o ROI. E, obviamente, não somos ninguém sem dados, tampouco sem analytics e mais recentemente sem a HyperIntelligence. Eu andei inteirando-me por meio de debates internacionais e li um artigo que demonstra que a mudança esperada desse profissional preocupa especialistas. O texto dizia: os marqueteiros precisam deixar de ser “obcecados por dados” e que a percepção do cliente "vem da intuição, sendo apenas apoiada por dados, modelagem e testes”.

Antes de discordar ou não, vale uma reflexão sobre intuição. O matemático e filósofo Blaise Pascal referia-se a ela como sendo um produto da capacidade da mente de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Assim, a intuição aplicada ao mercado não é uma experiência espiritual ou um dom, e sim, a capacidade da mente de fazer conexões que só ocorrem quando você passa por diversas experiências. Um bebê não tem intuição, tem instinto, mas nós, que já vimos muitas coisas, aguçamos o instinto e transformamos em intuição.

Trazendo para nosso universo: se isso bastasse para elaborarmos uma estratégia de marketing, por que há a necessidade de estudar? Basta seguir os instintos. Além disso, não faltaria emprego, pois as empresas estariam vendendo com os profissionais inspirados. Não estamos falando de escolher um, pois o profissional precisa unir as duas habilidades. Necessitamos do feeling, mas também é necessário sabermos utilizar o analytics e o HyperIntelligence a nosso favor. Quando analisamos dados, nos tornamos especialistas e a ideia criativa surge alinhada às expectativas. Porém, as ferramentas de analytics ajudam a comprovar que as decisões valeram a pena, fazendo toda a diferença na era do ROI.

O alto escalão não quer saber o quanto de leads as ações estão gerando, visto que no fim, o importante é o volume de negócios fechado. Relatórios visuais ajudam a mostrar que o investimento está sendo feito e, portanto, a receita está sendo gerada. Precisamos acompanhar o prospect por todo o funil de vendas até ele virar cliente e devemos criar campanhas que evitem o churn, aumentem as vendas na base, fidelizem e melhorem a experiência do cliente e uma série de outros KPIs. A meu ver, é difícil chegar nesses resultados somente com a criatividade, por isso, o analytics e o HyperIntelligence são fundamentais.

Claro que em um primeiro momento cria espaço para dúvidas e inseguranças e faz até pensarmos que estamos perdendo espaço para os cientistas de dados. E acho que isso até pode acontecer se não aprendermos com eles. O profissional de marketing precisa ser capaz de analisar os dados e interpretar as ferramentas. Assim, conseguimos ser mais preditivos e, ao mesmo tempo, adquirirmos a capacidade não só de ver uma recompensa hoje, mas também um retorno amanhã.

E os recursos de analytics que temos atualmente criam tantas possibilidades. O business intelligence tem avançado muito, ficando mais amigável. Temos a mobilidade que já inovou a forma como trabalhamos com dados. Agora, estamos na era da HyperIntelligence, do zero clique, das respostas vindo sem precisar das perguntas. A inteligência artificial, a linguagem natural e a IoT abrem caminhos e, a meu ver, dão um “super up” na nossa criatividade. Sem dúvida o papel do profissional de marketing mudou, mas sinceramente acho que com o poder dos dados e análises, com toda essa tecnologia analítica disponível, hoje já conseguimos comprovar que nossas ideias não são mais só inovadoras e mirabolantes, mas que elas trazem resultados nos negócios. Elas são, sim, decisões estratégicas de marketing.

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